Arte Pública estreia em Beja peça teatral sobre "brutalidade" da violência doméstica
"A pancada que endireita o mundo" é o título da peça teatral que a Associação Artes Performativas de Beja - Arte Pública estreia, na quarta-feira, nesta cidade, centrada na violência doméstica, divulgou a companhia.
O espetáculo vai estar em cena no Pax Julia - Teatro Municipal, em Beja, na quarta e na quinta-feira, às 21:00, abordando "uma das realidades mais persistentes e silenciosas da sociedade portuguesa", segundo a Arte Pública, em comunicado.
Em declarações à agência Lusa, a encenadora da peça, Gisela Cañamero, daquela companhia alentejana, explicou que a produção é interpretada por dois atores.
E, continuou, retrata "a vida de um jovem casal desde a altura em que é tudo cor-de-rosa" até ao momento em que surgem "as questões da posse do outro”, quando “qualquer coisa mínima passa a ser um gatilho para agredir o outro verbal ou fisicamente".
"A peça, infelizmente, baseia-se em factos reais. Tive muitos testemunhos diretos, falei com pessoas que foram vítimas de violência doméstica e acompanhei as notícias” que passaram na televisão”, relatou a encenadora.
Portanto, “temos um enorme manancial que permite que tudo aquilo que está plasmado em cena já tenha acontecido", justificou.
De acordo com Gisela Cañamero, o objetivo central da peça é não só "alertar as pessoas de que há sinais [em relações tóxicas] que se deixam passar", mas que deviam ser tidos em conta, como também "dar um pouco de esperança às vítimas".
"Somos todos os dias confrontados com notícias de pais que querem atingir o outro através dos filhos, usando-os como arma de arremesso”, exemplificou.
E, ilustrou, também “de mulheres, que são a esmagadora percentagem de vítimas, que vivem numa situação da qual não conseguem escapar, do lugar que deveria ser o espaço mais seguro e confortável, [no qual] se deviam sentir amadas, em casa", referiu.
Para a encenadora, a peça "A pancada que endireita o mundo" vem mostrar também que existe "um caminho a percorrer" ao nível da "educação e da libertação daquela visão mais frágil das vítimas" de violência doméstica.
"Esta é uma produção teatral e testemunhal que surge pela constatação da invasão de uma vaga que atravessa a nossa sociedade, que tem como mecanismo a brutalidade como meio de resolver as mais variadas situações, e o perigo real da sua banalização", elucidou.
A cenografia do espetáculo também é 'assinada' por Gisela Cañamero, sendo a peça interpretada por Inês Romão e Luís Amaro.
Os atores contaram com aulas de técnicas de autodefesa pessoal lecionadas por António Azevedo.
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