Antigas áreas mineiras de Aljustrel e Lousal com 9,2ME para recuperação ambiental
As antigas áreas mineiras de Aljustrel, no distrito de Beja, e de Lousal, no de Setúbal, vão ter obras de recuperação ambiental, avaliadas em 9,2 milhões de euros, promovidas pela Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM).
A empreitada, cofinanciada em sete milhões de euros através do programa operacional Alentejo 2030, foi adjudicada hoje, numa cerimónia realizada em Aljustrel, presidida pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Em declarações à agência Lusa, a governante salientou tratar-se de um investimento “muito importante” para “recuperar, do ponto de vista ambiental, zonas onde existiram, no passado, as antigas minas de Aljustrel e do Lousal”, no concelho de Grândola.
“Há aqui uma responsabilidade, também da parte pública, de ajudar nesta renaturalização e é isso que estamos a fazer”, sublinhou.
De acordo com a EDM, a empreitada “Recuperação Ambiental das Antigas Áreas Mineiras de Aljustrel e Lousal – Fase Complementar” tem um prazo de execução de 12 meses e pretende “consolidar os resultados alcançados” através de intervenções anteriores em ambos os locais.
O objetivo passa pela “renaturalização” de solos inaptos e modelação de zonas com “carências topográficas” na área mineira de Algares, em Aljustrel, “reforçando a sua integração ecológica, paisagística e social”, acrescentou.
Nesse âmbito, a empreitada prevê “efetivar a remoção integral e a selagem final de depósitos conhecidos com elevado potencial de lixiviação”, nomeadamente “o confinamento de 350 mil metros cúbicos (m³) contaminados” e o “revestimento de uma área de aproximadamente 120 mil m³ de escombreira exposta”.
O projeto contempla ainda a “reformulação do sistema de encaminhamento das águas lixiviadas para tratamento mais efetivo”, disse a empresa.
E, acrescentou, inclui igualmente “uma intervenção significativa de renaturalização e sustentabilidade dos ecossistemas, capaz de criar um espaço de visitação e integração da envolvente para outros usos”.
Segundo a ministra do Ambiente e Energia, projetos como o adjudicado hoje têm vindo a ser desenvolvidos noutros pontos do país onde também existiu atividade mineira no passado.
“Temos vindo aos poucos a resolver” esses problemas, “mas ainda temos mais por fazer”, reconheceu.
Maria da Graça Carvalho afirmou que estes projetos são “sempre muito caros”, pelo que necessitam de ser cofinanciados por fundos europeus.
“Sempre que possível, em todos os quadros comunitários de apoio, tentamos ter este financiamento. Por vezes, o Fundo Ambiental também ajuda a cofinanciar, mas são projetos demasiado grandes para ser só o Fundo Ambiental” a apoiá-los, disse.
A ministra revelou à Lusa que existem, atualmente, mais sete intervenções em fase de preparação para antigas minas no país, semelhantes às de Aljustrel e de Lousal, num “investimento global de cerca de 50 milhões de euros, com financiamento assegurado”.
A próxima a consignar é a da recuperação ambiental da antiga área mineira de Montesinho, no concelho e distrito de Bragança, indicou.

