Abandono e desinvestimento público levam aos resultados do PISA no Alentejo -SPZS
Os dados do relatório PISA (programa internacional de avaliação de alunos da OCDE nas áreas de leitura, matemática e ciências), recentemente divulgados, voltam a colocar em evidência as profundas assimetrias e desigualdades territoriais no acesso a uma educação de qualidade em Portugal. A afirmação é feita, em nota de imprensa, pelo Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS).
Para a estrutura sindical representativas dos
docentes, os dados referentes ao Alentejo, são “preocupantes” e não surgem por
mero acaso nem se podem justificar por incapacidades das comunidades escolares,
uma vez que “são o reflexo direto de décadas de opções políticas e económicas
desastrosas que abandonaram a Escola Pública e o território alentejano”.
O SPZS aponta o encerramento, ao longo das últimas décadas, de centenas de
escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico, uma opção política que “empurrou
milhares de crianças para centros escolares megalómanos e distantes.”
Devido a esta situação, o SPZS afirma que, “há um elevado número de crianças e jovens que passam diariamente horas exaustivas em transportes escolares, quando antes, com escolas de proximidade, tinham um melhor e mais atempado acompanhamento familiar”, trata-se de tempo “roubado ao descanso, ao brincar e ao estudo em família penaliza diretamente as aprendizagens e destrói o bem-estar dos alunos.”
O SPZD considera ainda que a degradação dos indicadores do PISA no Alentejo está também ligada ao contexto social, tendo em conta que se trata de uma “região marcada por baixos rendimentos familiares, precariedade laboral e pela ausência crónica de serviços e infraestruturas básicas de apoio às populações.”
A grave crise da profissão docente é outro motivo que, segundo o SPZS, está na origem dos fracos resultados do PISA no Alentejo, uma vez que a região sofre com o envelhecimento acelerado do corpo docente, agravado por uma precariedade laboral persistente que afasta os jovens da profissão.
Para o SPZS, os fracos resultados no PISA não são responsabilidade dos professores nem das famílias, são a “fatura do desinvestimento do Estado”, por isso, exige uma “viragem política que traga o reforço dos apoios socioeducativos, a valorização e estabilização da carreira docente, e a garantia de que a educação no Alentejo seja um direito universal de proximidade, e não um privilégio condicionado pela geografia.”
Comente esta notícia
Destaques
Sindicatos mobilizam para greve e manifestação dos trabalhadores das carreiras Gerais da Administração Pública
Jovem de Beja sagra-se Campeão do Mundo de Tiro às Hélices
Hospital Privado de Beja abre no 2º semestre de 2027
